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Mostrando postagens de 2024

XXVII - Notas de Um Ano Zoado

  Quem disser que 2024 foi um ano fácil, acho que não entendeu direito a premissa.  Dizem que o que não te mata te deixa mais forte. Pois bem, está chegando o réveillon, então vistamos a camisa branca coladinha. Se você chegou até aqui, está com um excelente físico.   Mas como nem tudo é merda, aprendi diversas lições este ano. E algumas delas eram revisões de lições já aprendidas anteriormente (porque somos humanos e, consequentemente, estúpidos e com a memória pateticamente curta).  Parece que cada mês de 2024 foi uma fase de um jogo Souls-like cuidadosamente desenvolvido por programadores japoneses psicopatas com muita imaginação, um filme de terror jump scare apavorante, a ponto de eu me considerar plenamente feliz se, em 2025, eu conseguir apenas trabalhar normalmente o ano todo.   Sem mais delongas, vamos à retrospectiva com suas respectivas lições.   1. Janeiro - Fique esperto em quem atrasa seu lado.    Muitas pessoas se aproximam da gent...

XXVI - Letra e Música

  Era Halloween, e eu estava tocando fantasiado. Algumas das outras pessoas foram fantasiadas também. Havia decoração temática, aquele clima de terror. Em algum momento, falei:   "Agora, vou cantar uma canção sobre a coisa mais sombria, aterrorizante, enigmática e desesperadora de todas: o amor."   As pessoas riram.   Eu não estava brincando.   Eu lembro de quando cheguei em São Paulo em 2008, com uma mochila nas costas, muito pouco no currículo e muita força de vontade, e as coisas andaram bem por todos os onze anos que passei lá.   E quando voltei pra cá para iniciar meu projeto musical, nem pandemia e nem enchente me fizeram parar (embora tenham me assustado bastante) , e aqui estamos, em 2024.   Bom, estou dizendo isso porque cada pessoa tem seu ponto forte e seu ponto fraco. No caso, profissionalmente eu me viro bem, tenho criatividade e vontade de entregar meu melhor, seja no trabalho que for.   Agora, a minha parte do cérebro dedicada a co...

XXV - Homem Banda

  No capítulo anterior, falei sobre como criei minha proposta musical com base em algo que estava faltando na noite da cidade, algo que não tinha. E contei como fui copiado, o que levou a uma saturação do mercado (o que sempre acontece por aqui, infelizmente).  Mas caras como eu não ficam sentados reclamando. E eu fiz o que sempre faço: me reinvento a cada mudança de fase. É assim no pessoal, no profissional, no amor... É quem sou. Uma fênix de cabelos sedosos e mechas prateadas . (Mmm lá ele)    Então, é hora de reiniciar o sistema. Preparar novidades e seguir em frente. E tô eu aqui agora, ensaiando dia e noite para tocar 5 instrumentos ao mesmo tempo.      O que eu posso fazer? Gente que nem precisa trabalhar começa a tocar na noite "por diversão", ou apenas para aparecer, junta uns amiguinhos pra brincar junto, e faz por um preço abaixo do mercado, sem perceber que está FODENDO com os coleguinhas de profissão.   Eu sei quanto preciso ganhar p...

XXIV - Tudo Era Mato

   “A imitação é a forma mais sincera de elogio” - William Bernbatch.   Quando voltei de São Paulo para Cachoeira, em 2019, já tinha meu plano preparado. A princípio, era dar um tempo, curar as feridas, como já contei nas primeiras postagens do blog. E então, começar meu projeto musical.   Naquele tempo, analisei o mercado da música ao vivo na cidade. E, conforme já haviam me falado antes mesmo de eu voltar, ninguém tocava nada parecido com meu repertório por aqui!   O que vou falar aqui pode soar arrogante, mas digo, sem medo de errar: Quando eu cheguei, tudo era mato !   Claro, notei que haviam boas bandas de cover, isso sempre teve por aqui, desde meu tempo de adolescência.    Mas alguém fazendo um voz e violão no bar que não fosse sertaNojo universOtário, pagode (que hoje em dia nada mais é do que sertanojo com pandeiro) ou o famigerado MPB pseudocult, não tinha. Então, vi aquilo como um sinal verde para a minha cuidadosamente elaborada propos...

XXIII - Pós Apocalipse - Parte 2

  Já era quase maio quando as coisas começaram a funcionar novamente. Ainda haviam chuvas ocasionais, e um medo generalizado de que o caos pluvial continuasse por mais tempo.   Entretanto, o pior do pesadelo havia passado, e era hora de tirar os cavalos dos telhados e reconstruir nossas vidas.   Mas, como sempre acontece nessas situações, enquanto algumas pessoas mostram o seu melhor em generosidade e compaixão, outras mostram seu pior, em egoísmo e falta de empatia.   Voltei a trabalhar, mas cada dia era uma surpresa. Passei situações desagradáveis, em especial com um cliente, do qual preferi abrir mão, simplesmente para não compactuar com pessoas mesquinhas que não acrescentam nada à sociedade, só pensam em chupar e lucrar. As pulgas, das quais Dostoiévski falou  (Uma pena eu não ter a coragem de Raskólnikov para usar um machado) .   Eu estava lascado. Mas não deixaria ninguém se aproveitar de mim por isso. Ainda tenho minhas bolas  (e não são pequen...

XXII - Pós Apocalipse - Parte 1

  Saudações pós apocalípticas, caros leitores. O que dizer do lapso de quase quatro meses sem escrever?   Bem, algumas coisas mudaram em minha rotina, e passei por algumas situações caóticas. Mas no nosso estado se diz que "não tá morto quem peleia" , então, cá estou, mais vivo do que nunca, para satisfação dos amados e desespero de alguns. Onde estávamos mesmo quando parei de escrever? Ah, sim, na cômoda era pré-diluviana da nossa cidade. Sim, foi o fim do mundo, minha gente. Quando as chuvas começaram a forçar a barra, eu vi minha agenda sendo esvaziada (com razão) e minha rotina de shows indo para o buraco. Eu não tinha o que fazer. Parecia mentira. Eu não via nenhum caminho.  Claro que havia gente perdendo muito mais do que dinheiro, e eu consegui compreender isso apenas depois do colapso dos meus nervos culminar em um desmaio repentino no chão do banheiro.   Acabei passando um dia no hospital e descobrindo que sou hipertenso (o que explica muito sobre minhas do...

XXI - Um Dia de um Músico de Bar

 O despertador me acordou de um sonho intrigante, então desativei-o e tentei voltar a dormir para "assistir" o final. Meus olhos estavam ardendo de sono. Stark começou a arranhar o colchão. Ele aprendeu essa técnica para me fazer levantar. Bom dia, seu merdinha.   Sentei na cama. Não quis olhar o celular. Eu sabia as horas, e isso era tudo que eu precisava.   Tentei lembrar do que tinha feito na noite anterior. Não tinha bebido, mas comi muito. O que era mesmo? Pizza?   Levantei. Rex deu os gritinhos dele. Ele não mia, aquele esquisito. Abri a porta da frente e ele vazou como uma flecha. O sol doeu em meus olhos. Fechei de novo.  Stark já esperava ao lado do pratinho dele, que estava pela metade. Completei a ração. Gato dramático.  Meu banheiro é do lado de fora. Isso me força a ter contato com o mundo exterior mais cedo do que eu gostaria. O sol estava ali nos fundos também. E o Freddy, esperando a ração dele, que eu já estava levando comigo.  Me...

XX - Compreensão - Parte 2

 Ainda sobre compreensão, mas no sentido de relações a dois, não sei se com vocês é assim, mas às vezes me sinto como se estivesse jogando um jogo de cartas do qual não sei as regras.  Eu acho que, passando tanto tempo casado, perdi parte da evolução (ou involução) humana em relação ao amor.  Quando foi que tudo virou jogo? Quando foi que as redes sociais passaram a ditar as regras, e foi criado esse questionário doentio e exigente que, no fim das contas, não faz nada além de rotular as pessoas por pequenas frases e palavras que se fala, muitas vezes, ao acaso?  Quando foi que demonstrar interesse passou a te presentear com o rótulo de "emocionado", promovendo a indiferença a uma virtude?  Quando foi que o bom se tornou não dar a mínima? E quando foi que jogar joguinhos se tornou mais excitante que uma transa?  As pessoas não querem te conhecer, criança. Elas querem te testar, e o mundo hoje gira em torno disso. Querem ver quais demônios tu carrega, sendo q...

XIX - Compreensão - Parte 1

 Algumas pessoas me dizem que esperavam que as postagens aqui do blog fossem, de fato, crônicas do meu dia a dia como músico. E confesso que a minha ideia é, primordialmente, trazer isso até vocês, e o farei.  No entanto, como artista, eu não tenho muito controle sobre como minha escrita vai se manifestar.   A última postagem, por exemplo, foi um poema . A anterior, a história  de um dos meus gatos. E, antes dessa, foi uma crítica . Às vezes dou uma filosofada, ou vendo meu peixe, ou apenas conto fatos da minha vida.  Enfim, eu deixo sair o que está enchendo meu coração cada vez que abro este editor para escrever.   Acaba que a música é um trabalho e, como em qualquer trabalho, há dias bem parecidos com os outros.   A ideia é mostrar com que cores este artista vê o mundo. Uma questão de compreensão.  Compreensão. Compreender é uma tarefa difícil, e a vida chega a um ponto em que você decide abandonar o peso de esperar ser compreendi...

XVIII - Nada de Bom Acontece Depois das Duas da Manhã

Tem coisas que simplesmente Me deprimem sem nenhum motivo: Comida congelada, objetos descartáveis, Música eletrônica. Era tarde quando mandei mensagem. Eu não estava esperando resposta. Preferia não ter tido resposta Nenhuma das vezes. Receber resposta de manhã De uma mensagem enviada à noite É como ressaca, Você nem lembra o sentido. O gelo do meu drink derreteu E eu não sei o que houve com as horas. Os gatos se agitaram por me verem acordado. Era tarde demais para dormir. Pensei em um sonho que eu tive, E em meteoros flamejantes, e café, e erros E no milagre que é duas pessoas se entenderem. Comi uma pizza congelada Com talheres descartáveis. O garfo quebrou.

XVII - Gatos & Âncoras - Parte 5

 Estou de volta, depois de alguns meses sem escrever. Não foi falta de inspiração, mas a atividade está consumindo meu tempo! Tenho uma série de textos meio escritos para publicar, e este é um deles, que estava esperando para ser lido por você, caro leitor, que perde seu tempo apreciando meu trabalho.   Pois vamos lá. No final do ano, apareceu este gato rondando a minha casa. Um gato feio, velho, que parecia ter saído de um livro do Stephen King. Só podia ser laranja. Gatos laranja têm fama de malvadões.    Mesmo com poucos dentes na boca, consegue dar belas mordidas. E eu nunca tinha sentido um soco de gato. Pois bem, ele dá socos.     Ele chegou tocando o terror aqui. Batendo nos outros dois e gerando o caos. Uma curiosidade: ele chegou exatamente no dia em que o Ozzy morreu, como contei no texto anterior desta série. E desempenhou o papel de emissário do caos melhor ainda...   A princípio, tentei anunciar para adoção. Mas não adianta, se o Univ...

XVI - Malas

  Era um começo de noite de sábado quente e agradável, e eu estava montando meu equipamento para tocar, animado, em um clima especialmente bom. Já haviam algumas pessoas nas mesas do pub.    Dois caras de mesas diferentes, que entendi serem músicos, começaram a interagir, falando mal de outro músico da cidade.   Mala 1: "Ontem eu vi o Fulano tocando em tal lugar. Tu vê, o Fulano, coitado..."   Mala 2: "Pois é. O cara tocava em uma banda famosa... Conhece, cabeludo, o Fulano?"   Eu fingi me enrolar com os cabos. Eles continuaram.     Mala 2: "O cara tocava em uma banda famosa, agora tá aí, tocando em bar. Tocando por prato de comida."   Mala 1: "Pois é, o que é a decadência da pessoa... Tá aí tocando em barzinho."   Eu não sei esconder quando tô puto. Sou transparente (e já engoli sapo demais na vida).   Aí o Mala 2 falou: "Ó, o cabeludo não gostou."   Eu falei que não tava entendendo o que eles queriam dizer. Eu valorizo meu t...

XV - Pastor Fê e a Igreja Invisível

  Lembram de um programa de televisão nos anos 90 que tinha um quadro chamado "Teu Passado Te Condena", onde eles pegavam aquela parte cômica da vida de um famoso, e levavam a público?   Bem, não sou uma celebridade, mas fiz este blog para quem quer conhecer minha história, então, vou fazer mais ou menos isso.   Esses dias, em uma loja, encontrei um... ESPERA! Antes de contar essa historinha, vou dar umas informações necessárias:   Quem me conhece, sabe que eu não gosto de religião.  Veja bem, não estou falando de intolerância religiosa, que seria desrespeitar uma pessoa por ela ser de uma ou outra religião. Simplesmente não acredito em nenhuma delas, mas possuo inteligência o suficiente para entender que, quem acredita, tem suas razões para acreditar, e que posso estar errado.   No fim das contas, tudo pode ser: o intolerante deus com letra maiúscula, o zumbi messias, a galera que fala com os fantasmas, as velas acesas para miniaturas, os 144 mil lambedore...

XIV - Fê Só Para Baixinhos

  Quando a pandemia estava quase no fim, e os  serviços básicos voltaram a funcionar, a vida noturna estava longe de reestabelecer a fonte de renda de quem dela dependia.   Então, a gente tinha que usar de criatividade e sorte.   Antes de vir embora de Sampa, eu havia adquirido um equipamento para fazer canecas personalizadas, e durante a pandemia isso me salvou. Mas agora, eu precisava de algo mais, e já estava farto de estar preso em casa. (E quem não estava?)     Foi nessa época que eu recebi a ligação de uma amiga falando de uma vaga para trabalhar com música em uma escola. E eu fiquei animado. Entrei em contato com a diretora, e lá fui eu fazer a entrevista.   Deu certo. A partir da segunda-feira, eu faria um trabalho que era basicamente cantar para crianças de até uns 5 anos, se não me engano, separadas em turmas por idade.   Bom, eu não tenho muita habilidade com crianças. Nunca quis ter filhos. Na verdade, é algo curioso: Eu simplesmente s...

XIII - Gatos e Âncoras - Parte 4

  Eu sempre digo que o número ideal de gatos em casa é dois. Assim, um faz companhia ao outro, e se estabelece um certo tipo de equilíbrio.   Mas a vida não é só sobre equilíbrio. É sobre lidar com o caos, é sobre situações que saem do nosso controle, é sobre aprender que somos criaturas frágeis e meio cegas em um mundo instável e cheio de neblina.    Muito raramente vivemos o que é ideal.   Em Outubro de 2022, quando o Stark e o Rex estavam em perfeita harmonia (o legítimo Yin Yang felino) , eu vi a postagem anunciando aquele peludo malhado, preto e branco, de longos bigodes e olhos amarelos grandes e expressivos para adoção.  Por ver que era um gato adulto (portanto mais difícil de ser adotado),  simplesmente me habilitei, sem pensar.    A situação me comoveu: ele estava jogado na beira da estrada, dormindo na sarjeta, e evidentemente era um gato de casa, abandonado. Entrei em contato e vieram me trazer ele imediatamente.   Ele chegou ...

XII - Aplausos

 Quando a gente trabalha com arte, aprende a adaptar a performance observando o comportamento do público. Isso acaba nos tornando, involuntariamente, sentinelas do comportamento alheio.    Eu podia escrever uma peça de stand-up contando as coisas que já vi. (Especialmente em relação a casais. A noite é engraçada e um tanto deprimente...)   Mas falaremos disso outra hora (tenho prometido várias coisas, eu sei. Calma, temos tempo!) . Aqui quero falar de um hábito básico quase geral do povo cachoeirense: não dar moral a ninguém, independente da qualidade do trabalho.    Tem bares específicos onde toco, nos quais se criou a tradição da participação saudável, da recepção calorosa e da valorização do meu trabalho. Esses são a razão de seguir fazendo o que faço! (E tem uma galera que, onde quer que vá me ver, sempre dá moral, mesmo quando toco a mesma música que já ouviram mil vezes.)   Mas no geral, nos demais ambientes, quando uma pessoa aplaude algumas can...

XI - Gatos e Âncoras - Parte 3

  Depois que perdi a Mity, como já contei aqui , ficamos só eu e o Stark, e ele acabou se tornando um símbolo de tudo que passei das peregrinações em São Paulo até a reviravolta total que me levou a músico de bar.    Quem já perdeu um animalzinho sabe como é o vazio que fica, a dor da falta, o sentimento de culpa por talvez não ter feito todo o possível para salvá-lo. E o Stark compartilha comigo deste sentimento, tanto que evito falar o nome Mity em casa, pois ele arregala os olhos e começa a procurar em todo canto e miar. E eu, obviamente, fico com um nó na garganta.   Então, eu estava decidido de que o Stark seria meu último gato, para não ter que passar por isso.   (A gente pensa que decide muitas coisas...)   Em Abril de 2022, quando eu já estava quase completando um ano na rotina de músico, me deparo uma tarde com uma criaturinha escura e arrepiada em cima do muro dos fundos. A princípio pensei que fosse um gambazinho. Mas ao levantar e sair correndo,...

X - Pelado

  Eu sei, eu sei, prometi publicar ao menos um texto por semana, mas meus dias têm sido curtos para o tanto que estou tentando fazer.   Vou contar.   Primeiro, fizemos alterações no formato da banda Rock de Bar, e nessa jogada, marcamos dois shows, o que me tomou um tempo para rever repertório, ensaiar, divulgar e tudo mais. Deu tudo certo.     E então, com as coisas indo bem, tive uma inspiração: usar minha música para tentar angariar fundos para uma instituição que cuida de animais de rua.    Me ajudaram com a situação do Freddy (o último hóspede do Château Borchhardt, um laranjão encrenqueiro muito ferido da vida, cuja história contarei em breve, junto com a dos outros filhos que a vida me trouxe) e, nesse processo, acabei conhecendo pessoas e vendo coisas que me fizeram crer que algo precisa ser feito pelos animais de rua.   Coisas que todos deveríamos ver.   Minha ideia era uma apresentação "de rua", onde eu tocaria minha música em uma p...

IX - Sugestões e Papel Higiênico

    É normal para um profissional de qualquer área receber pitacos sobre o seu trabalho, especialmente quando ele já tem uma carreira consolidada.  Quando eu comecei minha trajetória na música, não recebi muitas palavras de apoio, ou sugestões que facilitassem o meu começo.  Mas ouvi frases como "Não tem espaço para rock", "Aqui o pessoal só quer sertanejo e pagode", "Você não consegue entrar nos lugares se não tiver panelinha", que querem dizer basicamente: "DESISTA! EU NÃO AGUENTARIA TE VER TENDO SUCESSO NISSO!"   Pois bem, chupem-me.    O tempo passou, e eu descobri a outra face desse mesmo tipo de gente. Os desanimadores do começo de carreira, depois que a coisa começa a andar, tornam-se os sugestores. Aqueles que não te ajudaram no começo, mas agora querem uma parcelinha do sucesso te dizendo como fazer o que já está feito. Então, lembrei deste fato: Quando Stan Lee chegou com a primeira ideia sobre o Homem-Aranha, o seu editor achou a pior ...

VIII - "Deve Chover Mulher!"

  Existem alguns mitos quando se trata de músicos de bar. Que todo músico de bar bebe pra cacete, ou usa drogas. Que todo músico de bar é cachorro e mexe com a mulher alheia. Que todo músico de bar vive sem grana, toca por sanduíche e cerveja e, bem trovadinho, vende o corpitcho.  Adoram enquadrar a gente em clichês.    (Bom, nem todos são verdade...)   "Todo músico é safado" é um clichê que se usa bastante na hora de queimar o filme da gente. Se bem que, neste caso, o efeito pode ser contrário, uma vez que, no show business, todo marketing acaba sendo positivo.   É como quando você sai de um relacionamento e a pessoa fica falando absurdos de você. Sempre tem quem queira conferir se é verdade. (Falarei mais sobre confusões amorosas em publicações futuras. Não perca!)   Enfim, não sou um cara da noite. Salvo em raras ocasiões, encerro minha apresentação e dou o fora o mais rápido possível. Não é por mal. Dou toda minha energia na música e a bateria ac...