XXIII - Pós Apocalipse - Parte 2
Já era quase maio quando as coisas começaram a funcionar novamente. Ainda haviam chuvas ocasionais, e um medo generalizado de que o caos pluvial continuasse por mais tempo. Entretanto, o pior do pesadelo havia passado, e era hora de tirar os cavalos dos telhados e reconstruir nossas vidas. Mas, como sempre acontece nessas situações, enquanto algumas pessoas mostram o seu melhor em generosidade e compaixão, outras mostram seu pior, em egoísmo e falta de empatia. Voltei a trabalhar, mas cada dia era uma surpresa. Passei situações desagradáveis, em especial com um cliente, do qual preferi abrir mão, simplesmente para não compactuar com pessoas mesquinhas que não acrescentam nada à sociedade, só pensam em chupar e lucrar. As pulgas, das quais Dostoiévski falou (Uma pena eu não ter a coragem de Raskólnikov para usar um machado) . Eu estava lascado. Mas não deixaria ninguém se aproveitar de mim por isso. Ainda tenho minhas bolas (e não são pequen...