XII - Aplausos
Quando a gente trabalha com arte, aprende a adaptar a performance observando o comportamento do público. Isso acaba nos tornando, involuntariamente, sentinelas do comportamento alheio.
Eu podia escrever uma peça de stand-up contando as coisas que já vi. (Especialmente em relação a casais. A noite é engraçada e um tanto deprimente...)
Mas falaremos disso outra hora (tenho prometido várias coisas, eu sei. Calma, temos tempo!). Aqui quero falar de um hábito básico quase geral do povo cachoeirense: não dar moral a ninguém, independente da qualidade do trabalho.
Tem bares específicos onde toco, nos quais se criou a tradição da participação saudável, da recepção calorosa e da valorização do meu trabalho. Esses são a razão de seguir fazendo o que faço! (E tem uma galera que, onde quer que vá me ver, sempre dá moral, mesmo quando toco a mesma música que já ouviram mil vezes.)
Mas no geral, nos demais ambientes, quando uma pessoa aplaude algumas canções, logo sei que aquela pessoa é de fora da cidade. E muitas vezes, essas pessoas me abordam ao final, e comentam: "o povo daqui não aplaude, né?"
"Aaaain mas tu quer aplauso, showman?" Mas é claro que eu quero aplauso, ora pois! Sou um artista executando minha arte, logo, meu feedback é a reação do público.
(Bom, pelo menos até hoje não me jogaram coisas!)
É claro que não espero aplausos o tempo todo, até porque é difícil inovar a cada apresentação tendo um repertório de mais de 200 músicas, e não posso exigir aplauso por mais do mesmo. Mas tem momentos que eu toco uma canção com uma emoção diferenciada, e penso "cara, isso ficou bom!", e algumas pessoas me olham e dão aquela balançadinha de cabeça afirmativa, tipo "good boy", ou fazem aquele sinal silencioso de palmas, sabe? (Eu chamo de aplauso com uma mão só.)
Entretanto, já acostumei. Afinal, meu cachê eu recebo e tá tudo certo. E os pubs seguem me chamando, então, isso é melhor do que aplauso.
Mas pô, a gente que é artista gosta de uma palminha de vez em quando!
Obs.: Esta foi apenas uma reflexão de um músico de bar quanto a uma peculiaridade local, sem teor de exigência, crítica ou reclamação. ;)
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