XXIV - Tudo Era Mato



  “A imitação é a forma mais sincera de elogio” - William Bernbatch.


  Quando voltei de São Paulo para Cachoeira, em 2019, já tinha meu plano preparado. A princípio, era dar um tempo, curar as feridas, como já contei nas primeiras postagens do blog. E então, começar meu projeto musical.


  Naquele tempo, analisei o mercado da música ao vivo na cidade. E, conforme já haviam me falado antes mesmo de eu voltar, ninguém tocava nada parecido com meu repertório por aqui!


  O que vou falar aqui pode soar arrogante, mas digo, sem medo de errar: Quando eu cheguei, tudo era mato!


  Claro, notei que haviam boas bandas de cover, isso sempre teve por aqui, desde meu tempo de adolescência. 


  Mas alguém fazendo um voz e violão no bar que não fosse sertaNojo universOtário, pagode (que hoje em dia nada mais é do que sertanojo com pandeiro) ou o famigerado MPB pseudocult, não tinha. Então, vi aquilo como um sinal verde para a minha cuidadosamente elaborada proposta.


  A pandemia me atrasou por um ano e meio, mas em 2021 consegui emplacar nos bares. E os elogios eram especialmente ao meu repertório e a como fazia falta um som como o meu. E comecei a tocar todos os dias. Criei minha assinatura em meus covers, ousei onde ninguém tinha se arriscado. Tive a coragem de inovar.


  Então começou a acontecer um fenômeno engraçado... O cara do MPB começou a vender "MPB e pop rock", o cara do sertanejo se tornou "sertanejo e pop rock", pagodeiro se tornou rockeiro, e começaram a surgir concorrentes que nunca antes se prestaram a fazer o que eu fiz, mas agora copiavam meu modelo (os mais descarados copiavam até mesmo a sequência do meu repertório!).


  "Aaah Fe, mas o rock não é teu!"


  Eu não tô dizendo que as pessoas estão proibidas de tocar o estilo que eu toco, ou imitar o que eu faço como chimpanzés treinadinhos. Até por quê, aqui nessa cidade é assim, e eu sabia disso. Quando alguém faz algo que dá certo, outros mil copiam o modelo de negócio do cara (de modo meia boca e mais barato), e no fim ninguém ganha.


  O ponto onde quero chegar é que ninguém pode te ver ganhar algo com a tua ideia, que tem que vir como urubu pra cima.


  Aqui é uma terra de interesse no que é dos outros, e eu agradeço por ter passado tantos anos em São Paulo me desintoxicando disso, aprendendo a viver e cuidar da minha própria vida. 


  E não é só no âmbito profissional, não! Eu percebo como as pessoas cuidam da minha vida, me invejam e querem ter o que eu tenho o tempo todo! Isso é irritante. (Mas falarei disso em outro momento.)


  O que eu posso fazer, se minha vida é incrível? 


  Me copiem mesmo. Só que uma cópia nunca é como o original. A satisfação de fazer algo diferente é muito maior do que a de copiar.


  Enfim, sigo fazendo conforme o modelo que planejei, e estou trabalhando meus pontos fracos para ficar cada vez melhor. 


  O Cabeludo está e continuará ON, original, inoxidável, autêntico, incorruptível, zero lactose, em forma e delicioso. 


  Nham nham.


  Boa semana a todos!

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