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Mostrando postagens de abril, 2024

XXI - Um Dia de um Músico de Bar

 O despertador me acordou de um sonho intrigante, então desativei-o e tentei voltar a dormir para "assistir" o final. Meus olhos estavam ardendo de sono. Stark começou a arranhar o colchão. Ele aprendeu essa técnica para me fazer levantar. Bom dia, seu merdinha.   Sentei na cama. Não quis olhar o celular. Eu sabia as horas, e isso era tudo que eu precisava.   Tentei lembrar do que tinha feito na noite anterior. Não tinha bebido, mas comi muito. O que era mesmo? Pizza?   Levantei. Rex deu os gritinhos dele. Ele não mia, aquele esquisito. Abri a porta da frente e ele vazou como uma flecha. O sol doeu em meus olhos. Fechei de novo.  Stark já esperava ao lado do pratinho dele, que estava pela metade. Completei a ração. Gato dramático.  Meu banheiro é do lado de fora. Isso me força a ter contato com o mundo exterior mais cedo do que eu gostaria. O sol estava ali nos fundos também. E o Freddy, esperando a ração dele, que eu já estava levando comigo.  Me...

XX - Compreensão - Parte 2

 Ainda sobre compreensão, mas no sentido de relações a dois, não sei se com vocês é assim, mas às vezes me sinto como se estivesse jogando um jogo de cartas do qual não sei as regras.  Eu acho que, passando tanto tempo casado, perdi parte da evolução (ou involução) humana em relação ao amor.  Quando foi que tudo virou jogo? Quando foi que as redes sociais passaram a ditar as regras, e foi criado esse questionário doentio e exigente que, no fim das contas, não faz nada além de rotular as pessoas por pequenas frases e palavras que se fala, muitas vezes, ao acaso?  Quando foi que demonstrar interesse passou a te presentear com o rótulo de "emocionado", promovendo a indiferença a uma virtude?  Quando foi que o bom se tornou não dar a mínima? E quando foi que jogar joguinhos se tornou mais excitante que uma transa?  As pessoas não querem te conhecer, criança. Elas querem te testar, e o mundo hoje gira em torno disso. Querem ver quais demônios tu carrega, sendo q...

XIX - Compreensão - Parte 1

 Algumas pessoas me dizem que esperavam que as postagens aqui do blog fossem, de fato, crônicas do meu dia a dia como músico. E confesso que a minha ideia é, primordialmente, trazer isso até vocês, e o farei.  No entanto, como artista, eu não tenho muito controle sobre como minha escrita vai se manifestar.   A última postagem, por exemplo, foi um poema . A anterior, a história  de um dos meus gatos. E, antes dessa, foi uma crítica . Às vezes dou uma filosofada, ou vendo meu peixe, ou apenas conto fatos da minha vida.  Enfim, eu deixo sair o que está enchendo meu coração cada vez que abro este editor para escrever.   Acaba que a música é um trabalho e, como em qualquer trabalho, há dias bem parecidos com os outros.   A ideia é mostrar com que cores este artista vê o mundo. Uma questão de compreensão.  Compreensão. Compreender é uma tarefa difícil, e a vida chega a um ponto em que você decide abandonar o peso de esperar ser compreendi...

XVIII - Nada de Bom Acontece Depois das Duas da Manhã

Tem coisas que simplesmente Me deprimem sem nenhum motivo: Comida congelada, objetos descartáveis, Música eletrônica. Era tarde quando mandei mensagem. Eu não estava esperando resposta. Preferia não ter tido resposta Nenhuma das vezes. Receber resposta de manhã De uma mensagem enviada à noite É como ressaca, Você nem lembra o sentido. O gelo do meu drink derreteu E eu não sei o que houve com as horas. Os gatos se agitaram por me verem acordado. Era tarde demais para dormir. Pensei em um sonho que eu tive, E em meteoros flamejantes, e café, e erros E no milagre que é duas pessoas se entenderem. Comi uma pizza congelada Com talheres descartáveis. O garfo quebrou.

XVII - Gatos & Âncoras - Parte 5

 Estou de volta, depois de alguns meses sem escrever. Não foi falta de inspiração, mas a atividade está consumindo meu tempo! Tenho uma série de textos meio escritos para publicar, e este é um deles, que estava esperando para ser lido por você, caro leitor, que perde seu tempo apreciando meu trabalho.   Pois vamos lá. No final do ano, apareceu este gato rondando a minha casa. Um gato feio, velho, que parecia ter saído de um livro do Stephen King. Só podia ser laranja. Gatos laranja têm fama de malvadões.    Mesmo com poucos dentes na boca, consegue dar belas mordidas. E eu nunca tinha sentido um soco de gato. Pois bem, ele dá socos.     Ele chegou tocando o terror aqui. Batendo nos outros dois e gerando o caos. Uma curiosidade: ele chegou exatamente no dia em que o Ozzy morreu, como contei no texto anterior desta série. E desempenhou o papel de emissário do caos melhor ainda...   A princípio, tentei anunciar para adoção. Mas não adianta, se o Univ...