Postagens

XXVIII - Pra Onde Tenha Sol

  Finalmente, sai a primeira postagem do ano.  Às vezes, é necessário um tempo para você refazer os planos, colocar as coisas no lugar e seguir em frente. E foi o que eu fiz: me dei um tempo.   Nesses 4 meses, muita coisa mudou, não só na minha vida, mas na cidade, talvez no país. A verdade é que, depois do advento da enchente generalizada no estado, as coisas nunca mais voltaram a ser como eram.    E nós, que trabalhamos com entretenimento, acabamos não sendo prioridade. É claro que a gente entende.   Mas é aquela coisa... Eu sou bom em sobreviver. E até que tomei decisões corretas nas horas certas, e as coisas, aos poucos, estão acontecendo.   Voltei a dar aula, mas agora em uma escola. Isso está me fazendo muito bem, não só pelo fato de eu estar saindo da zona de conforto e vencendo limites, mas também para quebrar essa dependência do movimento noturno da cidade.   Como já disse outras vezes, não sou um cara "da noite". Apenas encontrei ali uma...

XXVII - Notas de Um Ano Zoado

  Quem disser que 2024 foi um ano fácil, acho que não entendeu direito a premissa.  Dizem que o que não te mata te deixa mais forte. Pois bem, está chegando o réveillon, então vistamos a camisa branca coladinha. Se você chegou até aqui, está com um excelente físico.   Mas como nem tudo é merda, aprendi diversas lições este ano. E algumas delas eram revisões de lições já aprendidas anteriormente (porque somos humanos e, consequentemente, estúpidos e com a memória pateticamente curta).  Parece que cada mês de 2024 foi uma fase de um jogo Souls-like cuidadosamente desenvolvido por programadores japoneses psicopatas com muita imaginação, um filme de terror jump scare apavorante, a ponto de eu me considerar plenamente feliz se, em 2025, eu conseguir apenas trabalhar normalmente o ano todo.   Sem mais delongas, vamos à retrospectiva com suas respectivas lições.   1. Janeiro - Fique esperto em quem atrasa seu lado.    Muitas pessoas se aproximam da gent...

XXVI - Letra e Música

  Era Halloween, e eu estava tocando fantasiado. Algumas das outras pessoas foram fantasiadas também. Havia decoração temática, aquele clima de terror. Em algum momento, falei:   "Agora, vou cantar uma canção sobre a coisa mais sombria, aterrorizante, enigmática e desesperadora de todas: o amor."   As pessoas riram.   Eu não estava brincando.   Eu lembro de quando cheguei em São Paulo em 2008, com uma mochila nas costas, muito pouco no currículo e muita força de vontade, e as coisas andaram bem por todos os onze anos que passei lá.   E quando voltei pra cá para iniciar meu projeto musical, nem pandemia e nem enchente me fizeram parar (embora tenham me assustado bastante) , e aqui estamos, em 2024.   Bom, estou dizendo isso porque cada pessoa tem seu ponto forte e seu ponto fraco. No caso, profissionalmente eu me viro bem, tenho criatividade e vontade de entregar meu melhor, seja no trabalho que for.   Agora, a minha parte do cérebro dedicada a co...

XXV - Homem Banda

  No capítulo anterior, falei sobre como criei minha proposta musical com base em algo que estava faltando na noite da cidade, algo que não tinha. E contei como fui copiado, o que levou a uma saturação do mercado (o que sempre acontece por aqui, infelizmente).  Mas caras como eu não ficam sentados reclamando. E eu fiz o que sempre faço: me reinvento a cada mudança de fase. É assim no pessoal, no profissional, no amor... É quem sou. Uma fênix de cabelos sedosos e mechas prateadas . (Mmm lá ele)    Então, é hora de reiniciar o sistema. Preparar novidades e seguir em frente. E tô eu aqui agora, ensaiando dia e noite para tocar 5 instrumentos ao mesmo tempo.      O que eu posso fazer? Gente que nem precisa trabalhar começa a tocar na noite "por diversão", ou apenas para aparecer, junta uns amiguinhos pra brincar junto, e faz por um preço abaixo do mercado, sem perceber que está FODENDO com os coleguinhas de profissão.   Eu sei quanto preciso ganhar p...

XXIV - Tudo Era Mato

   “A imitação é a forma mais sincera de elogio” - William Bernbatch.   Quando voltei de São Paulo para Cachoeira, em 2019, já tinha meu plano preparado. A princípio, era dar um tempo, curar as feridas, como já contei nas primeiras postagens do blog. E então, começar meu projeto musical.   Naquele tempo, analisei o mercado da música ao vivo na cidade. E, conforme já haviam me falado antes mesmo de eu voltar, ninguém tocava nada parecido com meu repertório por aqui!   O que vou falar aqui pode soar arrogante, mas digo, sem medo de errar: Quando eu cheguei, tudo era mato !   Claro, notei que haviam boas bandas de cover, isso sempre teve por aqui, desde meu tempo de adolescência.    Mas alguém fazendo um voz e violão no bar que não fosse sertaNojo universOtário, pagode (que hoje em dia nada mais é do que sertanojo com pandeiro) ou o famigerado MPB pseudocult, não tinha. Então, vi aquilo como um sinal verde para a minha cuidadosamente elaborada propos...

XXIII - Pós Apocalipse - Parte 2

  Já era quase maio quando as coisas começaram a funcionar novamente. Ainda haviam chuvas ocasionais, e um medo generalizado de que o caos pluvial continuasse por mais tempo.   Entretanto, o pior do pesadelo havia passado, e era hora de tirar os cavalos dos telhados e reconstruir nossas vidas.   Mas, como sempre acontece nessas situações, enquanto algumas pessoas mostram o seu melhor em generosidade e compaixão, outras mostram seu pior, em egoísmo e falta de empatia.   Voltei a trabalhar, mas cada dia era uma surpresa. Passei situações desagradáveis, em especial com um cliente, do qual preferi abrir mão, simplesmente para não compactuar com pessoas mesquinhas que não acrescentam nada à sociedade, só pensam em chupar e lucrar. As pulgas, das quais Dostoiévski falou  (Uma pena eu não ter a coragem de Raskólnikov para usar um machado) .   Eu estava lascado. Mas não deixaria ninguém se aproveitar de mim por isso. Ainda tenho minhas bolas  (e não são pequen...

XXII - Pós Apocalipse - Parte 1

  Saudações pós apocalípticas, caros leitores. O que dizer do lapso de quase quatro meses sem escrever?   Bem, algumas coisas mudaram em minha rotina, e passei por algumas situações caóticas. Mas no nosso estado se diz que "não tá morto quem peleia" , então, cá estou, mais vivo do que nunca, para satisfação dos amados e desespero de alguns. Onde estávamos mesmo quando parei de escrever? Ah, sim, na cômoda era pré-diluviana da nossa cidade. Sim, foi o fim do mundo, minha gente. Quando as chuvas começaram a forçar a barra, eu vi minha agenda sendo esvaziada (com razão) e minha rotina de shows indo para o buraco. Eu não tinha o que fazer. Parecia mentira. Eu não via nenhum caminho.  Claro que havia gente perdendo muito mais do que dinheiro, e eu consegui compreender isso apenas depois do colapso dos meus nervos culminar em um desmaio repentino no chão do banheiro.   Acabei passando um dia no hospital e descobrindo que sou hipertenso (o que explica muito sobre minhas do...