III - Sampa no Walkman.

   Quase sempre acho incoerências em filmes e livros que tratam de viagem no tempo, ainda mais quando o objetivo é alterar o futuro. Com exceção da obra clássica de H.G. Wells, A Máquina do Tempo, bem pouca coisa nesse âmbito escapa da inconsistência de roteiro. 

  Vou voltar um pouco ao passado, agora, mas não na pretensão de mudar algo. Até por que não quero que minha vida atual mude.

  Claro, tem muita coisa que eu preferia não ter feito ou sofrido, mas a cada um cabe seu caminho. Afinal de contas, futuro e passado são subjetivos. 

Temos o presente, e é isso aí.

  Quero falar aqui sobre os fatos passados que são relevantes à minha trajetória musical. Afinal, tudo na vida da gente está interligado!


  Em 2008, depois de várias tentativas frustradas de sobrevivência por aqui, resolvi dar o fora. Eu já estava casado na época. (Casei cedo demais, com a primeira pep... pessoa que conheci.)

Sutil que sou em minhas mudanças de vida, fui logo para São Paulo, capital. 

  Contra todas as possibilidades (como disse John, ignorância é benção), deu muito certo. Estava distraído e o acaso me protegeu. Em pouco tempo, estava trabalhando na indústria. Aluguei e mobiliei um apartamento no centrão, na vizinhança da famosa Galeria do Rock. 

  Aí quando tudo parecia estar bem, no comecinho de 2009, veio meu primeiro chif... divórcio, depois de 7 anos de casamento, e me vi vivendo sozinho na maior cidade do país. 

  Ao menos no trabalho, tudo ia bem. Estava viajando o país todo, instalando e dando treinamentos em equipamento de gravação a laser. Conheci muitas pessoas especiais (oi Anna :D) e lugares legais, aprendi muito e cresci bastante como pessoa.

Em 2011, com a vida estabilizada, casei de novo (a gente não aprende, né?). Estava namorando a distância havia quase dois anos, viajando para o RJ o tempo todo, e isso estava me consumindo. 

Daí a vida ficou sossegada. Estudei, cresci na empresa e, como sempre acontece em momentos particularmente bons, parecia que aquilo nunca ia mudar.


E 7 anos se passaram numa boa.


  Em 2018 tive meu primeiro contato com a música nos bares. Através dos jogos de RPG, um vício meu na época, conheci o Bruno e o Romeu, e formamos o trio Full House Blues Company. Fizemos nossa primeira apresentação, e a banda estava prestes a aumentar, quando meu mundo desabou.

  A crise dos sete anos atingiu meu segundo casamento. Consequentemente ou não, no meu trabalho a coisa não estava mais tão legal. Era muita responsabilidade e cobrança, e eu estava sobrecarregado.

  Então, em uma discussão com o chefe, pedi demissão. Fui pra casa, me sentindo feliz e corajoso para recomeçar, e preparei o almoço. Minha esposa chegou para almoçar:

  - Vai mesmo sair da empresa?
  - Sim, fizemos acordo.
 - Ok. Então eu quero divórcio.

 Na hora, algo me tomou, aquela paz que só se encontra no olho de um furacão, e eu apenas disse ok. Eu esperava isso, de certa forma. Já tinha algo acontecendo.

 Então, por mais um chif... divórcio ele passou e pro inferno ele foi pela segunda vez
 Pra Cachoeira então ele volto-o-u e decidiu recomeçar de vez...









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